Obed Rodrigues de Souza

"Creio para compreender, compreendo para crer melhor." Agostinho de Hipona

Textos

À Mesa do Pai
" Ela,  porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me!
  Então, ele respondendo disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
   Ela contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.
    Então lhe disse Jesus: Ó, mulher, grande é a tua fé! Faça-se     contigo como queres. E desde aquele momento sua filha ficou sã."
                            ( Mt.15:25-28)
Há pouco tempo desde que percebi  
Que das câmaras dos palácios reais
Leite e mel não costumam jorrar
Em suas mesas e despensas,
A verdade não se deixa habitar .

A história tem sussurrado em nossos ouvidos  
Que vasos de prata e ouro
O sabor da refeição não conseguem reter ,  
Saborosos pratos rejeitados podem ser, se não servidos
Por mordomos bem pagos e elegantemente vestidos.  

Onde então, encontrar a verdade?
A comida do faminto peregrino
Que a procura ao longo do caminho?

A verdade sempre se apresenta nua!
Suborno e vestimentas ela não aceita!
É comestível ... Serve-se crua.
Elogios e cumprimentos interesseiros
Não podem comprá-la ...Ela os rejeita!

Nas terras deste reino, não se vêem vestígios  
De  boas obras  dos que se dizem de linhagem real.
Ela se estende no mais alto dos céus
Contudo alcançada somente pelo faminto
Que procura a cura para o seu mal.

A humildade e a sinceridade servem o banquete por ela oferecido
Para o orgulhoso filho pródigo:agressiva - nela não se acha perdão.
Para o desobediente escarnecedor: dura e desconcertante.
Entretanto, totalmente graciosa e gentil para o de humilde coração.

Pilatos a ela ouvidos não deu ,
A multidão à morte a condenou ,
O descrente a tem como mentirosa ,
Outros dizem que ela mata, é venenosa,
O poder a fez culpada de crimes contra a humanidade
Que ela mesma nunca cometeu.

Onde então, encontrar a verdade?

Desafiadora! Desconcertante!
Arranca-nos os trapos reais – nosso velho eu
Libertadora...  
Leva o coração errante
À sala do banquete celestial
Que o Pai eterno, por seu filho nos prometeu.

É majestosa, estende-se no mais alto dos céus
Sua voz é poderosa, coloca nosso ego no banco dos réus.
A ela só resiste o humilde viajante
Que diante do pai, com alma faminta e suplicante
Tem seu coração descoberto, porém confiante.

Nunca se ouviu falar que da presença do mestre ,
Nenhum que tenha se achegado, sem orgulho ou preconceito
Tenha sido rejeitado, ou seu pedido desdenhado.
Pois quem se aproxima do pai, sem medo da verdade
Debaixo da sua mesa não fica prostrado.
Como filho, em perfeita comunhão,
Pelo pão da vida é diariamente alimentado.

Sim, existe um lugar onde a verdade não é só mais uma ilusão  
À mesa do Rei dos Reis está entronizada!
Nasce onde o orgulho morre
Brota onde a vaidade é enterrada.
É a força do perdão que sacia o coração.
À mesa do Pai, para o  pecador arrependido, encontra-se à disposição.




Obed Rodrigues de Souza
Enviado por Obed Rodrigues de Souza em 01/06/2009
Alterado em 04/01/2020


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